
A IA agêntica promete mudar a forma como as equipes de tecnologia detectam, investigam e resolvem incidentes. Uma pesquisa global da Riverbed mostra, porém, que a ambição de chegar à TI autônoma convive com uma exigência clara: manter pessoas no controle das decisões críticas.
O levantamento ouviu 1.200 decisores de negócios, líderes de TI e especialistas técnicos em sete países. Os dados indicam que a adoção está avançando, mas confiança, qualidade dos dados, visibilidade e governança continuam sendo condições essenciais para ampliar a autonomia.
Da experimentação à TI autônoma: o que a pesquisa revela
O interesse em IA agêntica é expressivo: 76% dos entrevistados consideram essa tecnologia central para a estratégia futura de TI, e 91% afirmam que seus investimentos em inteligência artificial atenderam ou superaram as expectativas. Isso demonstra que a IA já é vista como uma ferramenta estratégica, e não apenas como uma experiência isolada.
O cenário muda quando a discussão passa da intenção para a operação. Segundo a pesquisa, apenas 19% das operações de TI estão automatizadas atualmente. Somente 8% relatam operações habilitadas por IA em toda a empresa, e 9% dizem ter iniciativas de IA totalmente implantadas. A diferença entre expectativa e escala evidencia que adotar ferramentas não é o mesmo que transformar processos.
Para evoluir com segurança, as organizações precisam definir quais tarefas podem ser automatizadas, quais ações exigem aprovação e como medir os resultados. A autonomia deve crescer de forma gradual, com limites claros, rastreabilidade e mecanismos para interromper ou reverter ações quando necessário.
Observabilidade e qualidade dos dados são a base da autonomia
Um agente de IA só consegue produzir decisões confiáveis quando recebe contexto suficiente e dados consistentes. A pesquisa aponta que 96% consideram importante ter visibilidade entre múltiplos domínios, mas apenas 17% dizem contar com uma visão totalmente unificada de redes, aplicações e endpoints.
A qualidade da informação também é um obstáculo: 23% classificam como excelente a granularidade dos dados disponíveis e 21% fazem a mesma avaliação da qualidade dos dados. Sem telemetria adequada e correlação entre domínios, a IA pode identificar sintomas sem entender a causa, recomendar uma correção inadequada ou agir com base em informações incompletas.
Antes de ampliar a automação, as equipes devem consolidar fontes de telemetria, correlacionar eventos de rede, aplicação e experiência do usuário, padronizar os dados e validar se os sinais disponíveis permitem explicar o impacto de um incidente — não apenas apontar que algo está fora do padrão.
O levantamento também indica que 91% concordam que a consolidação de ferramentas reduz atritos operacionais e 90% afirmam que uma plataforma unificada simplifica a resolução de problemas. Isso reforça a importância de reduzir silos entre equipes e sistemas de monitoramento.
Service desk e operações: uma mudança de reativo para proativo
Noventa e três por cento dos entrevistados esperam que a inteligência operacional baseada em IA transforme as atividades da linha de frente de TI e do service desk nos próximos dois anos. Até 2028, 27% esperam uma redução significativa das atividades do service desk graças às operações autônomas, enquanto 22% acreditam que a IA agêntica permitirá que as equipes se concentrem em problemas mais complexos.
Essa transformação não significa necessariamente eliminar o atendimento humano. A pesquisa sugere uma mudança de foco: menos tempo em tarefas repetitivas e triagem manual, e mais esforço em prevenção, análise de causa raiz e resolução de incidentes de maior impacto. Para 35%, o papel do service desk deverá evoluir de uma atuação reativa para uma abordagem proativa.
Há, contudo, uma lacuna de maturidade: apenas 34% dizem que suas equipes de TI são extremamente eficazes no uso de IA para identificar e resolver problemas antes que os usuários percebam. Para fechar essa lacuna, processos, capacitação, observabilidade e integração entre ferramentas precisam evoluir junto com os modelos de IA.
Confiança, segurança e governança continuam decisivas
Mesmo com o entusiasmo, 77% dos participantes hesitam em permitir que a IA tome decisões operacionais sem aprovação humana. As principais preocupações incluem segurança e conformidade (55%), risco de interrupção operacional (45%) e falta de confiança (39%). Além disso, 51% demonstram preocupação com o desempenho e a confiabilidade dos sistemas agênticos.
A confiança na governança ainda é limitada: 42% dos entrevistados — e 36% dos especialistas técnicos — dizem ter alto nível de confiança na governança de IA de suas organizações. Apenas 24% afirmam confiar amplamente nas recomendações da IA com revisão humana limitada.
Por isso, projetos de IA agêntica devem definir políticas de acesso e privilégios mínimos, trilhas de auditoria, critérios de aprovação, limites de atuação e planos de recuperação. A supervisão humana deve ser baseada no risco: tarefas repetitivas e reversíveis podem admitir mais autonomia; mudanças com potencial de impacto amplo devem exigir controles adicionais.
Da IA agêntica ao AIOps: como levar essa evolução para a operação?
A pesquisa mostra que a autonomia depende de dados confiáveis, visibilidade integrada e contexto operacional. É justamente nesse cenário que o Riverbed IQ aplica inteligência e observabilidade para ajudar as equipes a investigar problemas, correlacionar informações e tomar decisões com mais contexto.
Leia também nosso artigo sobre a solução e entenda como a abordagem de AIOps da Riverbed pode apoiar a evolução das operações de TI.
Como avançar rumo à TI autônoma com responsabilidade
- Comece com casos de uso delimitados. Priorize tarefas frequentes, de baixo risco e com resultado mensurável, como enriquecer alertas, agrupar eventos correlacionados ou sugerir etapas de diagnóstico.
- Melhore a observabilidade antes de automatizar ações. Garanta cobertura suficiente de rede, aplicações, infraestrutura e experiência digital, com dados confiáveis e contexto temporal.
- Estabeleça níveis de autonomia. Diferencie recomendações, execução com aprovação e execução automática. Documente quais ações cada agente pode realizar e em quais condições.
- Meça resultados e efeitos colaterais. Acompanhe tempo de detecção e resolução, reincidência, falsos positivos, mudanças malsucedidas e impacto na experiência do usuário.
- Revise continuamente a governança. Audite decisões, teste cenários de falha, atualize permissões e mantenha um mecanismo claro de intervenção humana.
A conclusão é que a IA agêntica não substitui os fundamentos das operações de TI: ela aumenta a importância de dados de qualidade, visibilidade integrada, processos bem definidos e governança. A autonomia sustentável depende de combinar capacidade de automação com confiança verificável.
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Fonte e metodologia
Conteúdo elaborado pela DeepMonitor com base no comunicado oficial da Riverbed publicado em 6 de outubro de 2026 e no relatório da pesquisa global sobre IA agêntica e operações autônomas de TI. Os dados foram coletados pela Coleman Parkes Research em julho de 2026, com 1.200 decisores de negócios, líderes de TI e especialistas técnicos em sete países. O texto acima é uma análise editorial em português, não uma tradução integral do comunicado original.
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